A Sociedade Musical Bachiana Brasileira apresenta CARMINA BURANA de Carl Orff (versão de câmara, 1956)
CORO DA CIA. BACHIANA BRASILEIRA, CORO BRASIL ENSEMBLE - UFRJ & CORAL INFANTIL DA UFRJ Ricardo Rocha direção e regência
Sala Cecília Meireles, 7 de Março de 2008, às 20h Evento Integrante da S é r i e G r a n d e s R e c i t a i s Ciclo Todos os Pianos
Carmina Burana em versão de câmara, de Carl Orff Como parte do ciclo "Todos os Pianos", a Sala Cecília Meireles apresenta o Coro da Cia. Bachiana Brasileira, o Coro Brasil Ensemble - UFRJ e o Coral Infantil da UFRJ, (estes sob a direção de Maria José Chevitarese) interpretando a versão de câmara da cantata profana "Carmina Burana", de Carl Orff. A apresentação conta com o duo Bretas-Kevorkian (pianos), o Quarteto Dínamo de Percussão e os solistas Edna d’Oliveira, soprano; André Vidal, tenor, e Inácio de Nonno, barítono. Participação especial de André Guimarães Frias, Lino Hoffman e Xico Abreu na percussão. A regência é do maestro Ricardo Rocha. Sala Cecília Meireles, 07 de Março de 2008 - Sexta-feira, às 20h Apresentação Única!!! Largo da Lapa, 47 – Centro. Tel.: (21) 2299-9666. | $ | R$ 10 (platéia superior); R$ 20 (platéia). R$ 1 (estudantes da rede oficial de ensino de música); Há meia-entrada para estudantes e idosos. |
Carmina Burana: uma obra sintética e singular Além de sua beleza impactante, sustentada por uma estrutura cujos rigores simétricos nos remetem à arquitetura das grandes catedrais da Idade Média, Carmina Burana acabou por tornar-se emblemática na produção musical do século XX sob vários aspectos. O primeiro deles decorre da convicção do compositor de que era preciso simplificar e “enxugar” a instrumentação pesada, o ritmo viciado e a harmonia confusa do final do Romantismo. Para tanto, Orff debruçou-se na pesquisa e no estudo das óperas de Monteverdi e da música modal e neo-classicista de Stravinsky, criando, a partir daí, um método de composição onde o ritmo ocupa o papel mais importante, algo como uma instância mediadora entre o instinto e o intelecto. O segundo aspecto diz respeito à costura, em um todo coeso, de estéticas muito distintas entre si, compondo um grande painel sintético da história da música, com influências que vão do Canto Gregoriano (Veris leta facies, Si puer cum puellula, etc) e do Coral Luterano (Ave formosissima) às danças medievais francesas e italianas (Chramer, gip die varwe mir, com versos em baixo alemão), passando pela dança flamenca (Stetit puella), a opereta bufa do século XIX (Estuans interius) e, ainda, pela música de compositores como Puccini ou Saint-Saëns (In truitina), Stravinsky (Uf dem anger; Veni, veni, venias; Tempus est iocundum), Erik Satie (Olim lacus colueram e segunda parte de Amor volat undique) e outros. Como terceiro aspecto, vale registrar que, malgrado as suas enormes reservas em relação à harmonia de Wagner, Orff era simplesmente fascinado pelo princípio wagneriano da obra integral (Gesamtkunstwerk), ou seja, da reunião das várias artes no espetáculo musical. Foi pensando nele que o compositor arquitetou toda a trilogia composta no Carmina Burana (1936), Catuli Carmina e Trionfo di Afrodite, obras de imenso apelo plástico. O quarto aspecto trata dos textos: Carmina Burana (Canções de Beuern) é uma compilação de manuscritos do final do século XIII, conservada na Abadia de Benedictbeuern (Bavária, sul da Alemanha) e publicada em 1847, edição da qual Orff escolheu os 24 poemas para sua obra. Atribuídos aos goliardos, monges afastados da Igreja não apenas por sua exaltação aos prazeres da carne, à bebida e à jogatina, mas também pelas críticas pertinentes que faziam à corrupção dos clérigos, às injustiças sociais e aos usos e costumes repressivos de então, esses textos parodiavam os ritos da Igreja com textos profanos, divertidos e até eróticos, utilizando-se da métrica dos hinos católicos (compare-se a de O Fortuna com a de Dies irae) e das melodias do Gregoriano Vivendo uma época em que os senhores feudais oprimiam seus súditos com impostos e punições cruéis, à voz dos goliardos somavam-se as de diferentes movimentos de libertação dos pobres e explorados, grupos que, de um lado, lutavam pela liberdade individual, reforma agrária e confisco dos bens da Igreja, como o Movimento dos Trabalhadores Ingleses de 1381, e, de outro, contra as distorções do Evangelho e da Igreja por um clero seduzido pelo poder político, como a Ordem dos Franciscanos, as Beguinas, os Anabatistas, além de outros. Há quem veja os goliardos como os precursores do movimento da contracultura dos anos 60 e 70 do século XX, pelo caráter libertário e sem projeto de sua confraria, assim como pela busca extrativista do prazer como fim em si mesmo, em detrimento dos sacrifícios e renúncias exigidos por qualquer forma de cultivo e cultura, na terra ou no espírito, onde o prazer se dá nos momentos de observação do crescimento do que se cultiva e, naturalmente, na alegria espontânea e na dança festiva da colheita. Caso proceda essa visão dos goliardos como precursores da contracultura, o aspecto mais interessante aqui é o fato de o próprio Carl Orff, um homem de cultura e construção, de disciplina e constância, um educador com métodos de ensino que se tornaram conhecidos no mundo inteiro, prestar um tributo aos autores destes poemas-canções. Mas a aparente contradição só vem atestar a riqueza desta obra maravilhosa, cuja montagem temos agora o prazer de lhes apresentar. Esta é uma versão rara e alternativa, escrita pelo próprio autor em 1956. Nela, nosso trabalho amadureceu e, a vocês, nós o oferecemos, convidando-os para a dança e a festa desta colheita! Ricardo Rocha
Os Coros CORO DA CIA BACHIANA BRASILEIRA Sopranos Cláudia Garrido Danielly de Souza Silva ** Ester Cunha Evie Saide Fátima Santana Flávia Castilho Loren Vandal Maíra Garrido Marília Felicíssimo Paula Márcia * Sueli Mello Braga
Contraltos Adriana Matriciano Andréa Matriciano Kátia Simone Luciane Antunes Melissa Ferraz Priscila Azevedo Thalia Calcavecchia Vianna
| Tenores Fabiano Gonçalves João Jordy Jorge Azevedo Leandro Terrozo Luperci Henrique Ricardo Xavier *
Baixos Antonio Cerdeira Augusto Di Giorgio Arthur Monteiro Christiano Marques Edvan Moraes Frederico de Oliveira * José Rossine Rodrigo Quintas * monitores de naipe ** direção de quartetos
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CORO BRASIL ENSEMBLE Sopranos Ana Claudia dos S. Reis Hélida Lisboa Mendes Laila dos Reis Cavalcante Lina Mendes Lívia dos Reis Cavalcante Manuela Vieira dos Santos Marianna de Lima F. Pinto Solange Rocha da Silva Taiana Mendes
Contraltos Ana Carolina Godinho Ana Cristina Monteiro Danielle de Pinho Mello Liege Carvalho Luan Góes (contratenor) Pámela Acatauassú Priscila Marcelli Atie Vera Regina Lopes Menezes
| Tenores Aires Cyrano Moreno Sales Eliseu da Silva Batista Fábio Sá Gabriel Novotny Marcelo Rauta Rafael Bezerra de Souza Renato Mota dos Santos Roberto Sales
Baixos Cristiano Pessôa Julio César N. Tavares Lúcio Chiesse Zandonadi Paulo César R. Martins Rodrigo Trica Rafael Jassanã dos Santos Rodrigo Peçanha Virgilio Vinicius Rossa
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CORO INFANTIL da UFRJ Sopranos Amanda Rizzotto Pessôa Ana Lara G. Mangeth Ana Lúcia Almeida Daniel Lacerda Tinoco Daruã Góes de Farias Eduardo L. D. Cardoso Gabriela Briglia Gabriela Abreu Giulia Freire Carusca Henrique L. Tinoco Indhyra Gonfio Barboza Isadora Dragui Laura Abrahão Liegibel Letícia Paixão Luana N. dos Santos Lucas Lacerda Tinoco Maria Eduarda Serra Lima Mariana C. Fonseca Marianna de Mattos Braga Meirilene N. dos Santos Michelle L. de Menezes Simone Abrahão Liegibel Taluya Góes de Farias Vitor Matheus Neves
| Mezzo-Sopranos Allane dos Santos Jardim Amanda Feitosa Isabella Dragui Jéssica N. dos Santos João Marcos Rizzotto Pedro Paulo M. Rodrigues Rebeca Vieira Ruth de Oliveira Vitória Maria Madlum Samantha Monção Silva
Contraltos Ana Carolina de Almeida Daniel Velloso Santos Igor Gonfio Barboza Jamila S. R. D'Almeida
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Solistas  | Inácio de Nonno, barítono
Mestre em Música – Suma cum Laude – pela UFRJ, professor nas classes de Canto e Dicção da Escola de Música da UFRJ, para onde entrou em primeiro lugar em concurso público. No repertório sinfônico, Inácio vem se apresentando por todo o país como solista na 9ª Sinfonia de Beethoven, Carmina Burana de Carl Orff, Messias de Händel, Ein Deutsches Requiem de Brahms, Requiem de Fauré e de Mozart, Stabat Mater de Rossini e praticamente todas as cantatas de Bach, onde há barítono solista.
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 | Edna D'Oliveira, soprano Edna d"Oliveira nasceu em Belo Horizonte e iniciou seus estudos de canto com Vânia Soares, formando-se pela Universidade Estadual Paulista. Participa regularmente dos Cursos de Inverno, promovidos pela Royal Academy, em Londres, com a professora Pene Makai, especialista em Mozart e em música de câmara. Cantou sob regência de importantes maestros, atuando com destaque na produção de Orfeu e Eurídice de Glück, La Bohème e Gianni Schicchi de Puccini, L"elisir d"amore de Donizetti e Porgy and Bess de Gershwin. Além disso, em seu repertório constam obras de compositores como Händel, Rossini, Schubert, Fauré, compositores brasileiros e de "negro spirituals".
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 | André Vidal, tenor André Vidal nasceu em Fortaleza, onde iniciou seus estudos de canto em 1989 com Ricardo Pereira. Em 1993 transferiu-se para Brasília, onde passou a estudar com Francisco Frias na Escola de Música de Brasília - EMB. Em 1996, André recebeu bolsa de estudos da Royal Academy of Music, em Londres, para o curso de pós-graduação em Ópera. Em Londres estudou com Glenville Hargreaves, Jonathan Papp e Ian Partridge e participou de Master Classes com Philip Langridge, Robert Tear, John Mark Ainsley, Emma Kirkby e Christopher Hogwood.
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Fontes: www.guiaerudito.com.br | www.movimento.com Instrumentistas Participação especial de André Guimarães Frias, Lino Hoffman e Xico Abreu, percussão  | Duo Bretas-Kevorkian, pianos
"Recomendo vivamente as pianistas Patrícia Bretas e Josiane Kevorkian, que formam um duo de alta qualidade artística e representam um dos nossos melhores conjuntos de câmara." - Myriam Dauelsberg "As apresentações do duo Bretas-Kevorkian têm a marca de sua técnica pianística, musicalidade e energia colocadas a serviço da partitura. É notável a convergência das concepções interpretativas de ambas, na abordagem de um repertório novo, sobretrudo quando tocam obras inéditas de autores brasileiros." - João Guilherme Ripper
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| Quarteto Dínamo de Percussão
O Quarteto Dínamo é formado por percussionistas da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra Petrobras Sinfônica. Pedro Sá, Janaína Sá, Leonardo Sousa e Rodrigo Foti se reuniram em 2005 com o objetivo principal de estimular a composição para esta formação musical. Desde então, o conjunto estreou várias obras que lhe foram dedicadas, a exemplo das peças de Frederick Carrilho e Roseane Yampolschi apresentadas na XVII Bienal de Música Brasileira Contemporânea, em 2007. Atualmente, o grupo programa a estréia da partitura que o compositor americano Marc Hagelty está escrevendo especialmente para o quarteto. O conjunto se apresentou como atração final das atividades do Dia Internacional da Percussão 2005, romovido pela P.A.S. (Percussion Arts Society) na Unicamp. Participou também do Encontro Internacional de Percussão em Tatuí, em 2005, e dos concertos das Bienais de Música Brasileira Contemporânea, além de séries da programação oficial da Sala Cecília Meireles. Desde 2006, o grupo desenvolve intensa parceria com o Duo Bretas-Kevorkian. Os integrantes do Quarteto Dínamo que se apresentarão no Ciclo Todos os Pianos são Janaína Sá, Leonardo Sousa e Rodrigo Foti, sendo os dois últimos responsáveis pela coordenação do naipe de percussão que atua nos dois primeiros concertos.
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Fontes: www.guiaerudito.com.br | www.movimento.com Tradução Livre e Comparada por Ricardo Rocha
Sem perder a poesia e sua riqueza de imagens, esta tradução buscou seu conteúdo em detrimento das rimas. Nascida como estudo para o preparo da obra, foi dedicada à Cia. Bachiana Brasileira e a todo o elenco que, com ela, participa desta montagem na Sala Cecília Meireles, em 7 de março de 2008. Agradeço à Esther Souza pela digitação do rascunho, à Glícia Campos pela revisão, assim como à Sala Cecília Meireles pela impressão do encarte. Rio de Janeiro, janeiro/fevereiro 2008
As abas "Início", I, II, III, e IV logo acima levam às seções do texto de Carmina Burana com sua tradução.
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| FORTUNA IMPERATRIX MUNDI | FORTUNA IMPERATRIZ DO MUNDO | | 1 - O Fortuna | 1 - Ó Fortuna | O Fortuna, velut Luna statu variabilis, semper crescis aut decrescis; vita detestabilis nunc obdurat et tunc curat ludo mentis aciem, egestatem, potestatem dissolvit ut glassiem. Sors immanis et inanis, rota tu volubilis, status malus, vana salus semper dissolubilis, obumbrata et velata michi quoque niteris; nunc per ludum dorsum nudum fero tui sceleris. Sors salutis et virtutis michi nunc contraria est affectus et defectus semper in angaria. Hac in hora sine mora corde pulsum tangite; quod per sortem sternit fortem, mecum omnes plangite! | Ó, Fortuna, mutável como a Lua, sempre cresces e decresces; vida detestável ora escureces ora esclareces (curas), como um jogo, as mazelas da mente. Indigentes e poderosos tu os dissolves como gelo. Sorte brutal e vazia, tu - roda volúvel -, és má - e tornas vã a felicidade; sempre dissoluta (dissolúvel), nebulosa e velada também a mim assedias; agora, no jogo, entrego o dorso nu à tua malvadez. A sorte na saúde e na virtude agora me é contrária: dá e tira deixando-me refém. Nesta hora sem demora tange a corda pungente; porque a sorte abate o forte, e devemos todos chorar! | | 2 - Fortune plango vulnera | 2 - Choro as feridas da Fortuna | Fortune plango vulnera stillantibus ocellis, quod sua michi munera subtrahit rebellis. Verum est, quod legitur fronte capilata, sed plerumque sequitur occasio calvata. In Fortune solio sederam elatus, prosperitatis vario flore coronatus; quicquid enim florui felix et beatus, nunc a summo corrui gloria privatus. Fortune rota volvitur: descendo minoratus; alter in altum tollitur; nimis exaltatus rex sedet in vertice – caveat ruinam! nam sub axe legimus Hecubam reginam. | Choro as feridas da Fortuna com lágrimas nos olhos pois que o que ela me dá rebeladamente me tira. É verdade o que se lê: da sua bela cabeleira, se alguém a quiser pegar, ela se mostra calva. No trono da Fortuna sentado no alto coroado por várias flores da prosperidade; um dia eu floresci feliz e abençoado mas agora, fui da glória privado. A roda da Fortuna girou: e eu desço rebaixado; outro para o alto é levado e com exagero exaltado. Que o rei sentado no cimo previna-se contra a ruína! Porque no eixo nós lemos: Hécuba é a rainha. |
| I- PRIMO VERE | I- PRIMAVERA | | 3 - Veris leta facies | 3 - A alegre face da primavera | Veris leta facies mundo propinatur, hiemalis acies victa iam fugatur. In vestitu vario Flora principatur, nemorum dulcisono que cantu celebratur. Ah! Flore fusus gremio Phebus novo more risum dat, hoc vario iam stipate flore. Zephyrus nectareo spirans in odore, certatim pro bravio curramus in amore. Ah! Cytharizat cantico dulcis Philomena, flore rident vario prata iam serena. Salit cetus avium silve per amena, chorus promit virginum iam gaudia millena. Ah! | A face alegre da primavera volta-se para o mundo; o inverno rigoroso foi vencido e foge. com suas vestes coloridas Flora reina, e a floresta docemente em cantos a celebra. Ah! Deitado no colo de Flora Febo novamente sorri, vestido e adornado por uma profusão de flores. Zéfiro inspira o néctar de seu odor, corramos a conquistar o prêmio do amor. Ah! O doce rouxinol tange a cítara de seu canto, e os campos, coloridos de flores sorriem serenamente. Os pássaros em revoada saem em alvoroço dos bosques e o coro das virgens anuncia delícias e prazeres mil. Ah! | | 4 - Omnia sol temperat | 4 - O sol a tudo esquenta | Omnia sol temperat purus et subtilis, novo mundo reserat faciem aprilis; ad amorem properat animus herilis et iocundis imperat deus puerilis. Rerum tanta novitas in sotemni vere et veris auctoritas iubet nos gaudere; vias prebet solitas, et in tuo vere fides est et probitas tuum retinere. Ama me fideliter! Fidem meam nota: de corde totaliter et ex mente toda sum presentialiter absens in remota. Quisquis amat taliter, volvitur in rota. | O sol a tudo aquece, puro e delicado, e traz de novo ao mundo a face de abril; para o amor é impelido um coração viril; e, divertindo-se, reina ali o deus-menino, infantil. Toda essa renovação na festiva primavera com verdadeira autoridade, nos ordena à alegria; indica antigos caminhos, e em tua primavera exige o que é fiel e é correto só retendo do que é teu. Ama-me fielmente! Vê como sou fiel: com todo o meu coração e toda a minha alma, estou presente mesmo na distância. Todo o que ama desta maneira gira junto na Roda. | | 5 - Ecce gratum | 5 - Eis a cara primavera | Ecce gratum et optatum Ver reducit gaudia: purpuratum florert pratum, sol serenat omnia. Iam iam cedant tristia! Estas redit, nunc recedit Hyemis sevitia. Ah! Iam liquescit et decrescit grando, nix et cetera; bruma fugit, et iam sugit ver Estatis ubera; illi mens est misera, qui nec vivit, nec lascivit sub Estatis dextera. Ah! Gloriantur et letantur in melle dulcedinis qui conantur ut utantur premio Cupidinis; simus jussu Cypridis gloriantes et letantes pares esse Paridis. Ah! | Eis a querida e desejada primavera que traz de volta a alegria: flores púrpuras cobrem os prados, o sol a tudo ilumina. Passa a tristeza! regressa o verão e afugenta os maus tratos do inverno. Ah! Já se dissolvem e desaparecem o gelo, a neve e tudo mais; a bruma foge, e a primavera suga dos úberes do verão; pobre daquele que não vive nem se entrega à lascívia dessa estação. Ah! Que provem da glória e da felicidade doce como o mel os que enfrentam e tentam o prêmio de Cupido; conduzidos por Vênus exultemos e alegremo-nos por sermos como Páris. Ah! | | UF DEM ANGER | NO PRADO | | 6 - Tanz (instrumental) | 6 - Dança (instrumental) | | 7 - Floret silva nobilis | 7 - Cobre-se a conhecida floresta | Floret silva nobilis floribus et foliis. Ubi est antiquus meus amicus? Ah! Hinc equitavit! eia, quis me amabit? Ah! Floret silva undique, nah mime gesellen ist mir wê Gruonet der walt allenthalben, wâ ist min geselle alse lange? Ah! Der ist geriten hinnen, o wî, wer sol mich minnen? Ah! | Viceja a conhecida floresta com flores e folhas. Onde está O meu antigo amor? Ah! Ele cavalgou para longe! Oh, quem me amará? Ah! Viceja a floresta por toda a parte E eu sofro por meu amado. O bosque verdeja por inteiro, por que demora o meu amor? Ah! Ele cavalgou para longe. Oh, quem irá me amar? Ah! | | 8 - Chramer, gip die varwe mir | 8 - Mercador, dá-me as cores | Chramer, gip die varwe mir, die min wengel roete, da mit ich die jungen man an ir dank der minnenliebe noete. Seht mich an, jungen man! lat mich iu gevallen! Minnet, tugentliche man, minnecliche frouwen! minne tuot iu hoch gemuot unde lat iuch in hohen eren schouwen. Seht mich an, jungen man! lat mich iu gevallen! Wol dir Werlt, daz du bist also freudenriche! ich will dir sin undertan durch din liebe immer sicherliche. Seht mich an, jungen man! lat mich iu gevallen! | Mercador, dá-me as cores para ruborecer minhas faces, de modo que os rapazes não resistam a mim. Olhem para mim, rapazes! Deixem-me agradá-los! Ó homens virtuosos, amem as mulheres dignas de amor! O amor os enobrecerá e lhes trará honra. Olhem para mim, rapazes! Deixem-me agradá-los! Salve, mundo, tu que és cheio de alegrias! Quero ser-te submissa sempre segura de teu amor. Olhem para mim, rapazes! Deixem-me agradá-los! | | 9 – Reie (instrumental) | 9 – Ciranda (instrumental) |
Swaz hie gat umbe Swaz hie gat umbe, daz sint alles megede, die wellent an man alle disen sumer gan. Ah! Sla! | Aquelas que ali brincam de roda
Aquelas que ali brincam de roda, são todas virgens; e querem, sem homem, passar todo o verão Ah! Sla! |
Chume, chum geselle min Chume, chum, geselle min, in enbite harte din, in enbite harte din, chum, chum, geselle min. Suzer rosenvarwer munt, chum un mache mich gesunt chum un mache mich gesunt suzer rosenvarwer munt. | Vem, vem meu amor
Vem, vem, meu amor, espero tanto por ti, espero tanto por ti, Vem, vem, meu amor. Doce e rósea boca, vem e cura-me vem e cura-me doce e rósea boca. | Swaz hie gat umbe, daz sint alles megede, die wellent an man alle disen sumer gan. Ah! Sla!
| Aquelas que ali brincam de roda, são todas virgens; e querem, sem homem, passar todo o verão Ah! Sla! | | 10 - Were diu werlt alle min | 10 - Se o mundo todo fosse meu | Were diu werlt alle min, von deme mere unze an den Rin, des wolt ih mih darben, daz diu chünegin von Engellant lege an minen armen. Hei! | Se o mundo todo fosse meu, do mar até o Reno, a ele eu renunciaria se a rainha da Inglaterra deitasse em meus braços. Hei! |
| II - IN TABERNA | II - NA TABERNA | | 11 - Estuans interius | 11 – Ardendo interiormente | Estuans interius ira vehementi in amaritudine loquor mee menti: factus de materia cinis elementi, similis sum folio, de quo ludunt venti. Cum sit enim proprium viro sapienti supra petram ponere sedem fundamenti, stultus ego comparor fluvio labenti, sub eodem tramite nun quam permaneti. Feror ego veluti sine nauta navis, ut per vias aeris vaga ferrus avis; non me tenent vincula, non me tenet clavis, quero mihi similes, et adiungor pravis. Mihi cordis gravitas res videtur gravis; iocus est amabilis dulciorque favis; quicquid Venus imperat, labor est suavis, que nunquam in cordibus habitat ignavis. Via lata gradior more iuventutis, implicor et vitiis immemor virtutis, voluptatis avidus magis quam salutis, mortuus in anima curam gero cutis. | Ardendo interiormente em intensa ira, com amargura falo ao meu coração: nascido do pó, da cinza dos elementos, sou como u’a folha caída com quem brincam os ventos. Se com certeza é próprio do homem sábio, construir sobre a rocha os fundamentos da casa, então sou um tolo comparável ao rio em queda, que no mesmo lugar nunca permanece. Sou levado como navio sem piloto, como pelos ares um pássaro errante; não me prendem vínculos, não me prendem chaves, busco meus semelhantes, e me junto aos viciados. Meu coração grave e sério é para mim um fardo; divertir-se é mais amável e mais doce que o favo; àquele a quem Vênus preside, o trabalho é suave, pois que ela nunca habita em corações covardes. Ando por larga estrada como é próprio da juventude entrego-me aos meus vícios esquecido das virtudes, ávido de volúpias mais que de salvação, morto em minh'alma minha pele é a devoção. | | 12 - Olim lacus colueram | 12 - Um dia nadei no lago | Olim lacus colueram, olim pulcher extiteram, dun cignus ego fueram. Miser, miser! modo niger et ustus fortiter! Girat, regirat garcifer; me rogus urit fortiter: propinat me nunc dapifer. Miser, miser! modo niger et ustus fortiter! Nunc in scutellaiaceo, et volitare nequeo, dentes frendentes video: Miser, miser! modo niger et ustus fortiter! | Um dia nadei no lago, um dia fui belo, quando ainda era um cisne. Pobre de mim, pobre de mim! Agora já preto e queimado na brasa! O cozinheiro me vira e revira, queimando-me na brasa: e leva-me ao chef que me serve em banquete. Pobre de mim, pobre de mim! Agora já preto e queimado na brasa! Agora no meio da tigela, e sem poder voar, vejo dentes rangendo: Pobre de mim, pobre de mim! Agora já preto e queimado na brasa! | | 13 - Ego sum abbas | 13 - Sou o abade | Ego sum abbas Cucaniensis, et consilium meum est cum bibulis, et in secta Decci voluntas mea est, et qui mane me quesierit in taberna, post vesperam nudus egredietur, et sic denudatus veste clamabit: Wafna! Wafna! quid fecisti sors turpissima? nostre vite gaudia abstulist omnia! Haha! | Sou o abade Cucaniense e meu concílio é com os beberrões. Estar na seita de Décio é de minhas inclinações, e quem de manhã me procurar na taberna, à noitinha estará nu, despojado até das vestes; - e assim clamará: Wafna! Wafna! (ai de mim!) que fizestes, torpe azar? Nossos prazeres da vida os roubastes a todos! Haha! | | 14 - In taberna quando sumus | 14 - Quando estamos na taberna | In taberna quando sumus non curamus quid sit humus sed ad ludum properamus cui semper insudamus. Quid agatur in taberna, ubi nummus est pincerna hoc est opus ut queratur sic quid loquar, audiatur. Quidam ludunt, quidam bibunt, quidam indiscrete vivunt Sed in ludo qui morantur ex his quidam denudantur, quidam ibi vestiuntur, quidam saccis induuntur. Ibi nullus timet mortem, sed pro Baccho mittunt sortem: Primo pro nummata vini ex hac bibunt libertine; semel bibunt pro captivis, post hec bibunt ter pro vivis, quarter pro Christianis cunctis quinquies pro fidelibus defunctis sexies pro sororibus vanis septies pro militibus silvanis, Octies pro fratribus perversis, nonies pro monachis dispersis decies pro navigantibus undecies pro discordantibus, duodecies pro penitentibus, tredecies pro iter agentibus. Tam pro papa quam pro rege bibunt omnes sine lege. Bibit hera, bibit herus, bibit miles, bibit clerus, bibit ille, bibit illa, bibit servus cum ancilla, bibit velox, bibit piger, bibit albus, bibit niger, bibit constans, bibit vagus, bibit rudis, bibit magus,
Bibit pauper et egrotus, bibit exul et ignotus, bibit puer, bibit canus, bibit presul et decanus, bibit soror, bibit frater, bibit anus, bibit mater, bibit iste, bibit ille bibunt centum, bibunt mille. Parum sexcente nummate durant, cum immoderate bibunt omnes sine meta. Quamvis bibant mente leta, sic nos rodunt omnes gentes et sic erimus egentes. Qui nos rodunt confundantur et cum iustis non scribantur. Io io io io io io io io! | Quando estamos na taberna, não pensamos que ao pó voltaremos, mas corremos para o jogo, em meio ao qual sempre suamos. O que se passa na taberna, onde o anfitrião é o dinheiro às vezes é trabalho, vale a pena interrogar* ouçam, então, o que lhes tenho a dizer. Alguns jogam, alguns bebem, alguns vivem desregradamente. Mas dos que ficam no jogo, alguns são despidos, alguns ganham roupas, alguns acabam com trapos se vestindo. Aqui ninguém teme a morte, mas por Baco jogam seus dados: Primeiro ao mercador de vinho é que bebem os libertinos; uma vez só aos prisioneiros, depois três vezes bebem aos vivos, quatro vezes aos cristãos, cinco aos fiéis defuntos, seis às irmãs levianas, sete aos ladrões da floresta, Oito aos falsos irmãos, nove aos monges errantes, dez aos navegantes, onze aos amotinados, doze aos penitentes, treze aos viajantes. Tanto ao Papa quanto ao rei, bebem todos sem lei. Bebe a senhora, bebe o senhor, bebe o soldado, bebe o padre, bebe aquele, bebe aquela, bebe o servo com a criada, bebe o rápido, bebe o lerdo, bebe o branco, bebe o negro, bebe o firme, bebe o incerto, bebe o bruto, bebe o sábio,
Bebe o pobre e o enfermo, bebe o exilado e o estrangeiro, bebe o menino, bebe o ancião, bebe o bispo e o deão, bebe a irmã, bebe o irmão, bebe a bruxa, bebe a mãe, bebe este, bebe aquele, bebem cem, bebem mil. Poucas são seiscentas moedas quando todos, sem limites, bebem imoderadamente. Bebam à vontade, e com alegria, ainda que nos insultem todos os povos, e assim fiquemos pobres. Que sejam confundidos aqueles que nos insultam e no Livro dos Justos não sejam inscritos. Io io io io io io io io! * Frase de difícil tradução. Existem versões como “podeis querer saber”, ou “é digno de se averiguar” e outras |
| III- COUR D'AMOURS | III- CORTE DE AMORES | | 15 - Amor volat undique | 15 - Amor voa por toda parte | Amor volat undique captus est libidine, Iuvenes, iuvencule coniunguntur merito. Siqua sine socio, caret omni gaudio; tenet noctis infima sub intimo cordis in custodia; fit res amarissima. | Amor voa por toda parte refém que é do desejo. Rapazes, moças unem-se, como deve ser. Se uma está sem amante, desaparece-lhe toda a alegria; ela guarda a noite profunda, em segredo, no cárcere de seu coração: eis aí coisa amaríssima! | | 16 - Dies, nox et omnia | 16 - Dia, noite e tudo | Dies, nox et omnia michi sunt contraria, virginum colloquia me fay planszer, oy suvenz suspirer, plu me fay temer.
O sodales, ludite, vos qui scitis dicite, mihi mesto parcite, grand ey dolur, attamen consulite per voster honur.
Tua pulchra facies me fay planszer milies, pectus habet glacies. A remender statim vivus fierem per un baser. | Dia, noite e tudo me é contrário. A tagarelice das virgens me faz chorar, também suspirar, mais ainda, faz temer.
Ó amigos, podeis brincar, mas dizei-me o que sabem para me poupar; grande é a minha dor, aconselhai-me, eu vos peço, por vossa honra.
Teu lindo rosto mil prantos me traz, porque de gelo é o teu coração. Mas cura-me, que por um beijo voltarei a viver. | | 17 - Stetit puella | 17 – Estava ali uma menina | Stetit puella rufa tunica; si quis eam tetigit, tunica crepuit. Eia! Stetit puella tamquam rosula; facie splenduit, os eius fioruit. Eia! | Estava ali uma menina com uma túnica vermelha; se alguém a tocava, sua túnica crepitava. Eia! Estava ali uma menina como uma rosinha: sua face resplandescia com os lábios em flor. Eia! | | 18 - Circa mea pectora | 18 - Em meu peito | Circa mea pectora multa sunt suspiria de tua pulchritudine, que me ledunt misere. Ah! Mandaliet, mandaliet min geselle chomet niet.
Tui lucent oculi sicut solis radii, sicut splendor fulguris lucem donat tenebris. Ah! Mandaliet, mandaliet min geselle chomet niet.
Vellet deus, vallent dii quod mente proposui: ut eius virginea reserassem vincula. Ah! Mandaliet, mandaliet min geselle chomet niet. | Em meu peito são muitos os suspiros por tua beleza, que me deixa ferido. Ah! Mandaliet, mandaliet, meu amor não vem.
Teus olhos brilhantes são como raios de sol, como o fulgor do relâmpago iluminando as trevas. Ah! Mandaliet, mandaliet, meu amor não vem.
Conceda deus, concedam os deuses, Aquilo que eu mais desejo: que eu consiga romper as cadeias da tua virgindade. Ah! Mandaliet, mandaliet, meu amor não vem. | | 19 - Si puer cum puellula | 19 - Se um menino com uma menina | Si puer cum puellula Moraretur in cellula, Felix coniunctio. Amore suscrescente pariter e medio avulso procul tedio, fit ludus ineffabilis membris, lacertis, labii. | Se um menino com um menina Ficarem numa alcova, Feliz é a união. Floresce o amor, e entre eles some a vergonha, iniciando o jogo indizível de membros, braços e lábios. | | 20 - Veni, veni, venias | 20 - Vem, vem, ó vem | Veni, veni, venias, ne me mori facias, hyrca, hyrce, nazaza, trillirivos!
Pulchra tibi facies oculorum acies, capillorum series, o quam clara species!
Rosa rubicundior, lilio candidior, omnibus formosior semper in te glorior! | Vem, vem, venha, não me deixes morrer. hyrca, hyrce, nazaza, trillirivos!
Lindo é o teu rosto, teus olhos brilhantes, teus cabelos trançados, que imagem gloriosa!
Mais rubra que a rosa, mais alva que o lírio, a mais formosa de todas, sempre te louvarei! | | 21 - In trutina | 21 - Na balança | In truitina mentis dubia fluctuant contraria lascivus amor et pudicitia. Sed eligo quod video, collum iugo prebeo; asd iugum tamen suave transeo. | Na balança de minha alma oscilam em confronto lascívia e pudor. Mas escolho o que vejo, e meu pescoço coloco sob jugo, e por tão suave jugo eu aceito passar. | | 22 - Tempus est iocundum | 22 - É tempo de alegria | Tempus es iocundum o virgines, modo congaudete vos iuvenes! Oh, oh, oh! totus floreo! iam amore virginali totus ardeo! novus, novus amor est, quo pereo!
Mea me confortat promissio, mea me deportat negatio. Oh, oh, oh! totus floreo! iam amore virginali totus ardeo! novus, novus amor est, quo pereo!
Tempore brumali vir patiens, animo vernali lasciviens. Oh, oh, oh! totus floreo! iam amore virginali totus ardeo! novus, novus amor est, quo pereo!
Mea mecum ludit virginitas, mea me detrudit simplicitas. Oh, oh, oh! totus floreo! iam amore virginali totus ardeo! novus, novus amor est, quo pereo!
Veni, domicella, cum gaudio, veni, veni, pulchra, iam pereo! Oh, oh, oh! totus floreo! iam amore virginali totus ardeo! novus, novus amor est, quo pereo! | É tempo de alegria, ó virgens, divirtam-se conosco, ó rapazes! Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro! ardo totalmente em um amor virginal! É um novo, novo amor, que me consome!
A mim, me conforta a promessa, a mim me desterra a recusa. Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro! ardo totalmente em um amor virginal! É um novo, novo amor, que me consome!
Em tempos invernais o homem é paciente, com o sopro da primavera torna-se lascivo. Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro! ardo totalmente em um amor virginal! É um novo, novo amor, que me consome!
Comigo brinca minha virgindade, a mim me preserva minha simplicidade Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro! ardo todo de um amor virginal! novo, novo amor é o que me faz perecer!
Vem, minha soberana, com alegria, vem, vem, minha bela que estou me consumindo! Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro! ardo totalmente em um amor virginal! É um novo, novo amor, que me consome! | | 23 - Dulcissime | 23 - Docilíssima | Dulcissime, ah! Totam tibi subdo me! | Docilíssima, ah... me entrego toda a ti! |
| BLANZIFLOR ET HELENA | BRANCAFLOR E HELENA | | 24 - Ave formosissima | 24 - Salve, a mais formosa | Ave, formosissima, gemma pretiosa, ave, decus virginum, virgo gloriosa, ave, mundi luminar, ave, mundi rosa, Blanziflor et Helena, Venus generosa!
| Salve, a mais formosa, gema preciosa, salve, orgulho das virgens, virgem gloriosa, salve, luz do mundo, do mundo, salve a rosa Brancaflor e Helena, Vênus generosa! |
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