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Carmina Burana, de Carl Orff (versão de câmara) 2008 PDF Imprimir E-mail

Sobre

A Sociedade Musical Bachiana Brasileira
apresenta

CARMINA BURANA
de Carl Orff (versão de câmara, 1956)


CORO DA CIA. BACHIANA BRASILEIRA,

CORO BRASIL ENSEMBLE - UFRJ
&
CORAL INFANTIL DA UFRJ

 
Ricardo Rocha
direção e regência


Sala Cecília Meireles,
7 de Março de 2008, às 20h

Evento Integrante da
S é r i e G r a n d e s R e c i t a i s
Ciclo Todos os Pianos


Carmina Burana em versão de câmara, de Carl Orff

Como parte do ciclo "Todos os Pianos", a Sala Cecília Meireles apresenta o Coro da Cia. Bachiana Brasileira, o Coro Brasil Ensemble - UFRJ  e o  Coral Infantil da UFRJ,  (estes sob a direção de Maria José Chevitarese) interpretando a versão de câmara da cantata profana "Carmina Burana", de Carl Orff.

A apresentação conta com o duo Bretas-Kevorkian (pianos), o Quarteto Dínamo de Percussão e os solistas Edna d’Oliveira, soprano; André Vidal, tenor, e Inácio de Nonno, barítono. Participação especial de André Guimarães Frias, Lino Hoffman e Xico Abreu na percussão.

A regência é do maestro Ricardo Rocha.

Sala Cecília Meireles, 07 de Março de 2008 - Sexta-feira, às 20h
Apresentação Única!!!

Largo da Lapa, 47 – Centro. Tel.: (21) 2299-9666.

$ R$ 10 (platéia superior); R$ 20 (platéia).
R$ 1 (estudantes da rede oficial de ensino de música);

Há meia-entrada para estudantes e idosos.

Ingressos pela internet e relação dos pontos de venda em
www.ingresso.com

Obra

Carmina Burana: uma obra sintética e singular

Além de sua beleza impactante, sustentada por uma estrutura cujos rigores simétricos nos remetem à arquitetura das grandes catedrais da Idade Média, Carmina Burana acabou por tornar-se emblemática na produção musical do século XX sob vários aspectos.

O primeiro deles decorre da convicção do compositor de que era preciso simplificar e “enxugar” a instrumentação pesada, o ritmo viciado e a harmonia confusa do final do Romantismo. Para tanto, Orff debruçou-se na pesquisa e no estudo das óperas de Monteverdi e da música modal e neo-classicista de Stravinsky, criando, a partir daí, um método de composição onde o ritmo ocupa o papel mais importante, algo como uma instância mediadora entre o instinto e o intelecto.

O segundo aspecto diz respeito à costura, em um todo coeso, de estéticas muito distintas entre si, compondo um grande painel sintético da história da música, com influências que vão do Canto Gregoriano (Veris leta facies, Si puer cum puellula, etc) e do Coral Luterano (Ave formosissima) às danças medievais francesas e italianas (Chramer, gip die varwe mir, com versos em baixo alemão), passando pela dança flamenca (Stetit puella), a opereta bufa do século XIX (Estuans interius) e, ainda, pela música de compositores como Puccini ou Saint-Saëns (In truitina), Stravinsky (Uf dem anger; Veni, veni, venias; Tempus est iocundum), Erik Satie (Olim lacus colueram e segunda parte de Amor volat undique) e outros.

Como terceiro aspecto, vale registrar que, malgrado as suas enormes reservas em relação à harmonia de Wagner, Orff era simplesmente fascinado pelo princípio wagneriano da obra integral (Gesamtkunstwerk), ou seja, da reunião das várias artes no espetáculo musical. Foi pensando nele que o compositor arquitetou toda a trilogia composta no Carmina Burana (1936), Catuli Carmina e Trionfo di Afrodite, obras de imenso apelo plástico.

O quarto aspecto trata dos textos: Carmina Burana (Canções de Beuern) é uma compilação de manuscritos do final do século XIII, conservada na Abadia de Benedictbeuern (Bavária, sul da Alemanha) e publicada em 1847, edição da qual Orff escolheu os 24 poemas para sua obra. Atribuídos aos goliardos, monges afastados da Igreja não apenas por sua exaltação aos prazeres da carne, à bebida e à jogatina, mas também pelas críticas pertinentes que faziam à corrupção dos clérigos, às injustiças sociais e aos usos e costumes repressivos de então, esses textos parodiavam os ritos da Igreja com textos profanos, divertidos e até eróticos, utilizando-se da métrica dos hinos católicos (compare-se a de O Fortuna com a de Dies irae) e das melodias do Gregoriano

Vivendo uma época em que os senhores feudais oprimiam seus súditos com impostos e punições cruéis, à voz dos goliardos somavam-se as de diferentes movimentos de libertação dos pobres e explorados, grupos que, de um lado, lutavam pela liberdade individual, reforma agrária e confisco dos bens da Igreja, como o Movimento dos Trabalhadores Ingleses de 1381, e, de outro, contra as distorções do Evangelho e da Igreja por um clero seduzido pelo poder político, como a Ordem dos Franciscanos, as Beguinas, os Anabatistas, além de outros.

Há quem veja os goliardos como os precursores do movimento da contracultura dos anos 60 e 70 do século XX, pelo caráter libertário e sem projeto de sua confraria, assim como pela busca extrativista do prazer como fim em si mesmo, em detrimento dos sacrifícios e renúncias exigidos por qualquer forma de cultivo e cultura, na terra ou no espírito, onde o prazer se dá nos momentos de observação do crescimento do que se cultiva e, naturalmente, na alegria espontânea e na dança festiva da colheita.

Caso proceda essa visão dos goliardos como precursores da contracultura, o aspecto mais interessante aqui é o fato de o próprio Carl Orff, um homem de cultura e construção, de disciplina e constância, um educador com métodos de ensino que se tornaram conhecidos no mundo inteiro, prestar um tributo aos autores destes poemas-canções. Mas a aparente contradição só vem atestar a riqueza desta obra maravilhosa, cuja montagem temos agora o prazer de lhes apresentar. Esta é uma versão rara e alternativa, escrita pelo próprio autor em 1956. Nela, nosso trabalho amadureceu e, a vocês, nós o oferecemos, convidando-os para a dança e a festa desta colheita!

Ricardo Rocha


Coros

Os Coros

CORO DA CIA BACHIANA BRASILEIRA

Sopranos

Cláudia Garrido
Danielly de Souza Silva **
Ester Cunha
Evie Saide
Fátima Santana
Flávia Castilho
Loren Vandal
Maíra Garrido
Marília Felicíssimo
Paula Márcia *
Sueli Mello Braga

Contraltos

Adriana Matriciano
Andréa Matriciano
Kátia Simone
Luciane Antunes
Melissa Ferraz
Priscila Azevedo
Thalia Calcavecchia Vianna

Tenores

Fabiano Gonçalves
João Jordy
Jorge Azevedo
Leandro Terrozo
Luperci Henrique
Ricardo Xavier *

Baixos

Antonio Cerdeira
Augusto Di Giorgio
Arthur Monteiro
Christiano Marques
Edvan Moraes
Frederico de Oliveira *
José Rossine
Rodrigo Quintas

* monitores de naipe

** direção de quartetos



CORO BRASIL ENSEMBLE

Sopranos

Ana Claudia dos S. Reis
Hélida Lisboa Mendes
Laila dos Reis Cavalcante
Lina Mendes
Lívia dos Reis Cavalcante
Manuela Vieira dos Santos
Marianna de Lima F. Pinto
Solange Rocha da Silva
Taiana Mendes

Contraltos

Ana Carolina Godinho
Ana Cristina Monteiro
Danielle de Pinho Mello
Liege Carvalho
Luan Góes (contratenor)
Pámela Acatauassú
Priscila Marcelli Atie
Vera Regina Lopes Menezes

Tenores

Aires
Cyrano Moreno Sales
Eliseu da Silva Batista
Fábio Sá
Gabriel Novotny
Marcelo Rauta
Rafael Bezerra de Souza
Renato Mota dos Santos
Roberto Sales

Baixos

Cristiano Pessôa
Julio César N. Tavares
Lúcio Chiesse Zandonadi
Paulo César R. Martins
Rodrigo Trica
Rafael Jassanã dos Santos
Rodrigo Peçanha Virgilio
Vinicius Rossa

 



CORO INFANTIL da UFRJ

Sopranos

Amanda Rizzotto Pessôa
Ana Lara G. Mangeth
Ana Lúcia Almeida
Daniel Lacerda Tinoco
Daruã Góes de Farias
Eduardo L. D. Cardoso
Gabriela Briglia
Gabriela Abreu
Giulia Freire Carusca
Henrique L. Tinoco
Indhyra Gonfio Barboza
Isadora Dragui
Laura Abrahão Liegibel
Letícia Paixão
Luana N. dos Santos
Lucas Lacerda Tinoco
Maria Eduarda Serra Lima
Mariana C. Fonseca
Marianna de Mattos Braga
Meirilene N. dos Santos
Michelle L. de Menezes
Simone Abrahão Liegibel
Taluya Góes de Farias
Vitor Matheus Neves

Mezzo-Sopranos

Allane dos Santos Jardim
Amanda Feitosa
Isabella Dragui
Jéssica N. dos Santos
João Marcos Rizzotto
Pedro Paulo M. Rodrigues
Rebeca Vieira
Ruth de Oliveira
Vitória Maria Madlum
Samantha Monção Silva

Contraltos

Ana Carolina de Almeida
Daniel Velloso Santos
Igor Gonfio Barboza
Jamila S. R. D'Almeida

 

 

 



Solistas

Solistas


inacio de nonno

Inácio de Nonno, barítono

Mestre em Música – Suma cum Laude – pela UFRJ, professor nas classes de Canto e Dicção da Escola de Música da UFRJ, para onde entrou em primeiro lugar em concurso público.

No repertório sinfônico, Inácio vem se apresentando por todo o país como solista na 9ª Sinfonia de Beethoven, Carmina Burana de Carl Orff, Messias de Händel, Ein Deutsches Requiem de Brahms, Requiem de Fauré e de Mozart, Stabat Mater de Rossini e praticamente todas as cantatas de Bach, onde há barítono solista.



edna d'oliveira

Edna D'Oliveira, soprano

Edna d"Oliveira nasceu em Belo Horizonte e iniciou seus estudos de canto com Vânia Soares, formando-se pela Universidade Estadual Paulista.

Participa regularmente dos Cursos de Inverno, promovidos pela Royal Academy, em Londres, com a professora Pene Makai, especialista em Mozart e em música de câmara.

Cantou sob regência de importantes maestros, atuando com destaque na produção de Orfeu e Eurídice de Glück, La Bohème e Gianni Schicchi de Puccini, L"elisir d"amore de Donizetti e Porgy and Bess de Gershwin. Além disso, em seu repertório constam obras de compositores como Händel, Rossini, Schubert, Fauré, compositores brasileiros e de "negro spirituals".



andre vital

André Vidal, tenor

André Vidal nasceu em Fortaleza, onde iniciou seus estudos de canto em 1989 com Ricardo Pereira. Em 1993 transferiu-se para Brasília, onde passou a estudar com Francisco Frias na Escola de Música de Brasília - EMB.

Em 1996, André recebeu bolsa de estudos da Royal Academy of Music, em Londres, para o curso de pós-graduação em Ópera. Em Londres estudou com Glenville Hargreaves, Jonathan Papp e Ian Partridge e participou de Master Classes com Philip Langridge, Robert Tear, John Mark Ainsley, Emma Kirkby e Christopher Hogwood.


Fontes:
www.guiaerudito.com.br | www.movimento.com

Instrumentistas

Instrumentistas

Participação especial de André Guimarães Frias, Lino Hoffman e Xico Abreu, percussão

 

duo_bretas_kevorkian

Duo Bretas-Kevorkian, pianos

"Recomendo vivamente as pianistas Patrícia Bretas e Josiane Kevorkian, que formam um duo de alta qualidade artística e representam um dos nossos melhores conjuntos de câmara." - Myriam Dauelsberg

"As apresentações do duo Bretas-Kevorkian têm a marca de sua técnica pianística, musicalidade e energia colocadas a serviço da partitura. É notável a convergência das concepções interpretativas de ambas, na abordagem de um repertório novo, sobretrudo quando tocam obras inéditas de autores brasileiros." - João Guilherme Ripper



andre vital


Quarteto Dínamo de Percussão

O Quarteto Dínamo é formado por percussionistas da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra Petrobras Sinfônica. Pedro Sá, Janaína Sá, Leonardo Sousa e Rodrigo Foti se reuniram em 2005 com o objetivo principal de estimular a composição para esta formação musical. Desde então, o conjunto estreou várias obras que lhe foram dedicadas, a exemplo das peças de Frederick Carrilho e Roseane Yampolschi apresentadas na XVII Bienal de Música Brasileira Contemporânea, em 2007.

Atualmente, o grupo programa a estréia da partitura que o compositor americano Marc Hagelty está escrevendo especialmente para o quarteto. O conjunto se apresentou como atração final das atividades do Dia Internacional da Percussão 2005, romovido pela P.A.S. (Percussion Arts Society) na Unicamp. Participou também do Encontro Internacional de Percussão em Tatuí, em 2005, e dos concertos das Bienais de Música Brasileira Contemporânea, além de séries da programação oficial da Sala Cecília Meireles. Desde 2006, o grupo desenvolve intensa parceria com o Duo Bretas-Kevorkian. Os integrantes do Quarteto Dínamo que se apresentarão no Ciclo Todos os Pianos são Janaína Sá, Leonardo Sousa e Rodrigo Foti, sendo os dois últimos responsáveis pela coordenação do naipe de percussão que atua nos dois primeiros concertos.

 

Fontes:
www.guiaerudito.com.br | www.movimento.com

Tradução

Tradução Livre e Comparada

por Ricardo Rocha

Sem perder a poesia e sua riqueza de imagens, esta tradução buscou seu conteúdo em detrimento das rimas. Nascida como estudo para o preparo da obra, foi dedicada à Cia. Bachiana Brasileira e a todo o elenco que, com ela, participa desta montagem na Sala Cecília Meireles, em 7 de março de 2008. Agradeço à Esther Souza pela digitação do rascunho, à Glícia Campos pela revisão, assim como à Sala Cecília Meireles pela impressão do encarte.

Rio de Janeiro, janeiro/fevereiro 2008


As abas "Início", I, II, III, e IV logo acima levam
às seções do texto de Carmina Burana com sua tradução.



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FORTUNA IMPERATRIX MUNDIFORTUNA IMPERATRIZ DO MUNDO
1 - O Fortuna1 - Ó Fortuna

O Fortuna,
velut Luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem,
egestatem,
potestatem
dissolvit ut glassiem.

Sors immanis
et inanis,
rota tu volubilis,
status malus,
vana salus
semper dissolubilis,
obumbrata et velata
michi quoque niteris;
nunc per ludum
dorsum nudum
fero tui sceleris.

Sors salutis
et virtutis
michi nunc contraria
est affectus
et defectus
semper in angaria.
Hac in hora
sine mora
corde pulsum tangite;
quod per sortem
sternit fortem,
mecum omnes plangite!

Ó, Fortuna,
mutável
como a Lua,
sempre cresces
e decresces;
vida detestável
ora escureces
ora esclareces (curas),
como um jogo,
as mazelas da mente.
Indigentes e poderosos
tu os dissolves como gelo.

Sorte brutal
e vazia,
tu - roda volúvel -,
és má - e tornas vã
a felicidade;
sempre dissoluta (dissolúvel),
nebulosa e velada
também a mim assedias;
agora, no jogo,
entrego o dorso nu
à tua malvadez.

A sorte na saúde
e na virtude
agora me é contrária:

e tira
deixando-me refém.
Nesta hora
sem demora
tange a corda pungente;
porque a sorte
abate o forte,
e devemos todos chorar!

2 - Fortune plango vulnera2 - Choro as feridas da Fortuna

Fortune plango vulnera
stillantibus ocellis,
quod sua michi munera
subtrahit rebellis.
Verum est, quod legitur
fronte capilata,
sed plerumque sequitur
occasio calvata.

In Fortune solio
sederam elatus,
prosperitatis vario
flore coronatus;
quicquid enim florui
felix et beatus,
nunc a summo corrui
gloria privatus.

Fortune rota volvitur:
descendo minoratus;
alter in altum tollitur;
nimis exaltatus
rex sedet in vertice –
caveat ruinam!
nam sub axe legimus
Hecubam reginam.

Choro as feridas da Fortuna
com lágrimas nos olhos
pois que o que ela me dá
rebeladamente me tira.
É verdade o que se lê:
da sua bela cabeleira,
se alguém a quiser pegar,
ela se mostra calva.

No trono da Fortuna
sentado no alto
coroado por várias
flores da prosperidade;
um dia eu floresci
feliz e abençoado
mas agora,
fui da glória privado.

A roda da Fortuna girou:
e eu desço rebaixado;
outro para o alto é levado
e com exagero exaltado.
Que o rei sentado no cimo
previna-se contra a ruína!
Porque no eixo nós lemos:
Hécuba é a rainha.


I

I- PRIMO VEREI- PRIMAVERA
3 - Veris leta facies3 - A alegre face da primavera

Veris leta facies
mundo propinatur,
hiemalis acies
victa iam fugatur.
In vestitu vario
Flora principatur,
nemorum dulcisono
que cantu celebratur. Ah!

Flore fusus gremio
Phebus novo more
risum dat, hoc vario
iam stipate flore.
Zephyrus nectareo
spirans in odore,
certatim pro bravio
curramus in amore. Ah!

Cytharizat cantico
dulcis Philomena,
flore rident vario
prata iam serena.
Salit cetus avium
silve per amena,
chorus promit virginum
iam gaudia millena. Ah!

A face alegre da primavera
volta-se para o mundo;
o inverno rigoroso
foi vencido e foge.
com suas vestes coloridas
Flora reina,
e a floresta docemente
em cantos a celebra. Ah!

Deitado no colo de Flora
Febo novamente sorri,
vestido e adornado
por uma profusão de flores.
Zéfiro inspira
o néctar de seu odor,
corramos a conquistar
o prêmio do amor. Ah!

O doce rouxinol
tange a cítara de seu canto,
e os campos, coloridos de flores
sorriem serenamente.
Os pássaros em revoada
saem em alvoroço dos bosques
e o coro das virgens anuncia
delícias e prazeres mil. Ah!

4 - Omnia sol temperat4 - O sol a tudo esquenta

Omnia sol temperat
purus et subtilis,
novo mundo reserat
faciem aprilis;
ad amorem properat
animus herilis
et iocundis imperat
deus puerilis.

Rerum tanta novitas
in sotemni vere
et veris auctoritas
iubet nos gaudere;
vias prebet solitas,
et in tuo vere
fides est et probitas
tuum retinere.

Ama me fideliter!
Fidem meam nota:
de corde totaliter
et ex mente toda
sum presentialiter
absens in remota.
Quisquis amat taliter,
volvitur in rota.

O sol a tudo aquece,
puro e delicado,
e traz de novo ao mundo
a face de abril;
para o amor é impelido
um coração viril;
e, divertindo-se, reina ali
o deus-menino, infantil.

Toda essa renovação
na festiva primavera
com verdadeira autoridade,
nos ordena à alegria;
indica antigos caminhos,
e em tua primavera exige
o que é fiel e é correto
só retendo do que é teu.

Ama-me fielmente!
Vê como sou fiel:
com todo o meu coração
e toda a minha alma,
estou presente
mesmo na distância.
Todo o que ama desta maneira
gira junto na Roda.

5 - Ecce gratum5 - Eis a cara primavera

Ecce gratum et optatum
Ver reducit gaudia:
purpuratum
florert pratum,
sol serenat omnia.
Iam iam cedant tristia!
Estas redit,
nunc recedit
Hyemis sevitia. Ah!

Iam liquescit
et decrescit
grando, nix et cetera;
bruma fugit,
et iam sugit
ver Estatis ubera;
illi mens est misera,
qui nec vivit,
nec lascivit
sub Estatis dextera. Ah!

Gloriantur
et letantur
in melle dulcedinis
qui conantur ut utantur
premio Cupidinis;
simus jussu Cypridis
gloriantes et letantes
pares esse Paridis. Ah!

Eis a querida e desejada primavera
que traz de volta a alegria:
flores púrpuras
cobrem os prados,
o sol a tudo ilumina.
Passa a tristeza!
regressa o verão
e afugenta
os maus tratos do inverno. Ah!

Já se dissolvem
e desaparecem
o gelo, a neve e tudo mais;
a bruma foge,
e a primavera suga
dos úberes do verão;
pobre daquele
que não vive
nem se entrega
à lascívia dessa estação. Ah!

Que provem da glória
e da felicidade
doce como o mel
os que enfrentam e tentam
o prêmio de Cupido;
conduzidos por Vênus
exultemos e alegremo-nos
por sermos como Páris. Ah!

UF DEM ANGERNO PRADO
6 - Tanz (instrumental)6 - Dança (instrumental)
7 - Floret silva nobilis7 - Cobre-se a conhecida floresta

Floret silva nobilis
floribus et foliis.
Ubi est antiquus
meus amicus? Ah!
Hinc equitavit!
eia, quis me amabit? Ah!

Floret silva undique,
nah mime gesellen ist mir wê
Gruonet der walt allenthalben,
wâ ist min geselle alse lange? Ah!
Der ist geriten hinnen,
o wî, wer sol mich minnen? Ah!

Viceja a conhecida floresta
com flores e folhas.
Onde está
O meu antigo amor? Ah!
Ele cavalgou para longe!
Oh, quem me amará? Ah!

Viceja a floresta por toda a parte
E eu sofro por meu amado.
O bosque verdeja por inteiro,
por que demora o meu amor? Ah!
Ele cavalgou para longe.
Oh, quem irá me amar? Ah!

8 - Chramer, gip die varwe mir8 - Mercador, dá-me as cores

Chramer, gip die varwe mir,
die min wengel roete,
da mit ich die jungen man
an ir dank der minnenliebe noete.

Seht mich an, jungen man!
lat mich iu gevallen!

Minnet, tugentliche man,
minnecliche frouwen!
minne tuot iu hoch gemuot
unde lat iuch in hohen eren schouwen.

Seht mich an, jungen man!
lat mich iu gevallen!

Wol dir Werlt, daz du bist
also freudenriche!
ich will dir sin undertan
durch din liebe immer sicherliche.

Seht mich an, jungen man!
lat mich iu gevallen!

Mercador, dá-me as cores
para ruborecer minhas faces,
de modo que os rapazes
não resistam a mim.

Olhem para mim, rapazes!
Deixem-me agradá-los!

Ó homens virtuosos,
amem as mulheres dignas de amor!
O amor os enobrecerá
e lhes trará honra.

Olhem para mim, rapazes!
Deixem-me agradá-los!

Salve, mundo,
tu que és cheio de alegrias!
Quero ser-te submissa
sempre segura de teu amor.

Olhem para mim, rapazes!
Deixem-me agradá-los!

9 – Reie (instrumental)9 – Ciranda (instrumental)

Swaz hie gat umbe

Swaz hie gat umbe,
daz sint alles megede,
die wellent an man
alle disen sumer gan.
Ah! Sla!


Aquelas que ali brincam de roda

Aquelas que ali brincam de roda,
são todas virgens;
e querem, sem homem,
passar todo o verão
Ah! Sla!


Chume, chum geselle min

Chume, chum, geselle min,
in enbite harte din,
in enbite harte din,
chum, chum, geselle min.
Suzer rosenvarwer munt,
chum un mache mich gesunt
chum un mache mich gesunt
suzer rosenvarwer munt.


Vem, vem meu amor

Vem, vem, meu amor,
espero tanto por ti,
espero tanto por ti,
Vem, vem, meu amor.
Doce e rósea boca,
vem e cura-me
vem e cura-me
doce e rósea boca.


Swaz hie gat umbe,
daz sint alles megede,
die wellent an man
alle disen sumer gan.
Ah! Sla!


Aquelas que ali brincam de roda,
são todas virgens;
e querem, sem homem,
passar todo o verão
Ah! Sla!
10 - Were diu werlt alle min10 - Se o mundo todo fosse meu
Were diu werlt alle min,
von deme mere
unze an den Rin,
des wolt ih mih darben,
daz diu chünegin von Engellant
lege an minen armen. Hei!
Se o mundo todo fosse meu,
do mar
até o Reno,
a ele eu renunciaria
se a rainha da Inglaterra
deitasse em meus braços. Hei!

II

II - IN TABERNAII - NA TABERNA
11 - Estuans interius11 – Ardendo interiormente

Estuans interius
ira vehementi
in amaritudine
loquor mee menti:
factus de materia
cinis elementi,
similis sum folio,
de quo ludunt venti.

Cum sit enim proprium
viro sapienti
supra petram ponere
sedem fundamenti,
stultus ego
comparor fluvio labenti,
sub eodem tramite
nun quam permaneti.

Feror ego veluti
sine nauta navis,
ut per vias aeris
vaga ferrus avis;
non me tenent vincula,
non me tenet clavis,
quero mihi similes,
et adiungor pravis.

Mihi cordis gravitas
res videtur gravis;
iocus est amabilis
dulciorque favis;
quicquid Venus imperat,
labor est suavis,
que nunquam in cordibus
habitat ignavis.

Via lata gradior
more iuventutis,
implicor et vitiis
immemor virtutis,
voluptatis avidus
magis quam salutis,
mortuus in anima
curam gero cutis.

Ardendo interiormente
em intensa ira,
com amargura
falo ao meu coração:
nascido do pó,
da cinza dos elementos,
sou como u’a folha caída
com quem brincam os ventos.

Se com certeza é próprio
do homem sábio,
construir sobre a rocha
os fundamentos da casa,
então sou um tolo
comparável ao rio em queda,
que no mesmo lugar
nunca permanece.

Sou levado como
navio sem piloto,
como pelos ares
um pássaro errante;
não me prendem vínculos,
não me prendem chaves,
busco meus semelhantes,
e me junto aos viciados.

Meu coração grave e sério
é para mim um fardo;
divertir-se é mais amável
e mais doce que o favo;
àquele a quem Vênus preside,
o trabalho é suave,
pois que ela nunca habita
em corações covardes.

Ando por larga estrada
como é próprio da juventude
entrego-me aos meus vícios
esquecido das virtudes,
ávido de volúpias
mais que de salvação,
morto em minh'alma
minha pele é a devoção.

12 - Olim lacus colueram12 - Um dia nadei no lago

Olim lacus colueram,
olim pulcher extiteram,
dun cignus ego fueram.
Miser, miser!
modo niger
et ustus fortiter!

Girat, regirat garcifer;
me rogus urit fortiter:
propinat me
nunc dapifer.
Miser, miser!
modo niger
et ustus fortiter!

Nunc in scutellaiaceo,
et volitare nequeo,
dentes frendentes video:
Miser, miser!
modo niger
et ustus fortiter!

Um dia nadei no lago,
um dia fui belo,
quando ainda era um cisne.
Pobre de mim, pobre de mim!
Agora já preto
e queimado na brasa!

O cozinheiro me vira e revira,
queimando-me na brasa:
e leva-me ao chef
que me serve em banquete.
Pobre de mim, pobre de mim!
Agora já preto
e queimado na brasa!

Agora no meio da tigela,
e sem poder voar,
vejo dentes rangendo:
Pobre de mim, pobre de mim!
Agora já preto
e queimado na brasa!

13 - Ego sum abbas13 - Sou o abade

Ego sum abbas Cucaniensis,
et consilium meum est
cum bibulis,
et in secta Decci
voluntas mea est,
et qui mane me
quesierit in taberna,
post vesperam nudus
egredietur, et sic denudatus
veste clamabit:

Wafna! Wafna!
quid fecisti sors turpissima?
nostre vite gaudia
abstulist omnia!
Haha!

Sou o abade Cucaniense
e meu concílio
é com os beberrões.
Estar na seita de Décio
é de minhas inclinações,
e quem de manhã
me procurar na taberna,
à noitinha estará nu,
despojado até das vestes;
- e assim clamará:

Wafna! Wafna! (ai de mim!)
que fizestes, torpe azar?
Nossos prazeres da vida
os roubastes a todos!
Haha!

14 - In taberna quando sumus14 - Quando estamos na taberna

In taberna quando sumus
non curamus quid sit humus
sed ad ludum properamus
cui semper insudamus.
Quid agatur in taberna,
ubi nummus est pincerna
hoc est opus ut queratur
sic quid loquar, audiatur.

Quidam ludunt, quidam bibunt,
quidam indiscrete vivunt
Sed in ludo qui morantur
ex his quidam denudantur,
quidam ibi vestiuntur,
quidam saccis induuntur.
Ibi nullus timet mortem,
sed pro Baccho mittunt sortem:

Primo pro nummata vini
ex hac bibunt libertine;
semel bibunt pro captivis,
post hec bibunt ter pro vivis,
quarter pro Christianis cunctis
quinquies pro fidelibus defunctis
sexies pro sororibus vanis
septies pro militibus silvanis,

Octies pro fratribus perversis,
nonies pro monachis dispersis
decies pro navigantibus
undecies pro discordantibus,
duodecies pro penitentibus,
tredecies pro iter agentibus.
Tam pro papa quam pro rege
bibunt omnes sine lege.

Bibit hera, bibit herus,
bibit miles, bibit clerus,
bibit ille, bibit illa,
bibit servus cum ancilla,
bibit velox, bibit piger,
bibit albus, bibit niger,
bibit constans, bibit vagus,
bibit rudis, bibit magus,

Bibit pauper et egrotus,
bibit exul et ignotus,
bibit puer, bibit canus,
bibit presul et decanus,
bibit soror, bibit frater,
bibit anus, bibit mater,
bibit iste, bibit ille
bibunt centum, bibunt mille.

Parum sexcente nummate
durant, cum immoderate
bibunt omnes sine meta.
Quamvis bibant mente leta,
sic nos rodunt omnes gentes
et sic erimus egentes.
Qui nos rodunt
confundantur
et cum iustis non scribantur.

Io io io io io io io io!

Quando estamos na taberna,
não pensamos que ao pó voltaremos,
mas corremos para o jogo,
em meio ao qual sempre suamos.
O que se passa na taberna,
onde o anfitrião é o dinheiro
às vezes é trabalho, vale a pena interrogar*
ouçam, então, o que lhes tenho a dizer.

Alguns jogam, alguns bebem,
alguns vivem desregradamente.
Mas dos que ficam no jogo,
alguns são despidos,
alguns ganham roupas,
alguns acabam com trapos se vestindo.
Aqui ninguém teme a morte,
mas por Baco jogam seus dados:

Primeiro ao mercador de vinho
é que bebem os libertinos;
uma vez só aos prisioneiros,
depois três vezes bebem aos vivos,
quatro vezes aos cristãos,
cinco aos fiéis defuntos,
seis às irmãs levianas,
sete aos ladrões da floresta,

Oito aos falsos irmãos,
nove aos monges errantes,
dez aos navegantes,
onze aos amotinados,
doze aos penitentes,
treze aos viajantes.
Tanto ao Papa quanto ao rei,
bebem todos sem lei.

Bebe a senhora, bebe o senhor,
bebe o soldado, bebe o padre,
bebe aquele, bebe aquela,
bebe o servo com a criada,
bebe o rápido, bebe o lerdo,
bebe o branco, bebe o negro,
bebe o firme, bebe o incerto,
bebe o bruto, bebe o sábio,

Bebe o pobre e o enfermo,
bebe o exilado e o estrangeiro,
bebe o menino, bebe o ancião,
bebe o bispo e o deão,
bebe a irmã, bebe o irmão,
bebe a bruxa, bebe a mãe,
bebe este, bebe aquele,
bebem cem, bebem mil.

Poucas são seiscentas moedas
quando todos, sem limites,
bebem imoderadamente.
Bebam à vontade, e com alegria,
ainda que nos insultem todos os povos,
e assim fiquemos pobres.
Que sejam confundidos
aqueles que nos insultam
e no Livro dos Justos não sejam inscritos.

Io io io io io io io io!

* Frase de difícil tradução. Existem versões como “podeis querer saber”, ou “é digno de se averiguar” e outras

III

III- COUR D'AMOURSIII- CORTE DE AMORES
15 - Amor volat undique15 - Amor voa por toda parte
Amor volat undique
captus est libidine,
Iuvenes, iuvencule
coniunguntur merito.
Siqua sine socio,
caret omni gaudio;
tenet noctis infima
sub intimo
cordis in custodia;
fit res amarissima.
Amor voa por toda parte
refém que é do desejo.
Rapazes, moças
unem-se, como deve ser.
Se uma está sem amante,
desaparece-lhe toda a alegria;
ela guarda a noite profunda,
em segredo,
no cárcere de seu coração:
eis aí coisa amaríssima!
16 - Dies, nox et omnia16 - Dia, noite e tudo
Dies, nox et omnia
michi sunt contraria,
virginum colloquia
me fay planszer,
oy suvenz suspirer,
plu me fay temer.

O sodales, ludite,
vos qui scitis dicite,
mihi mesto parcite,
grand ey dolur,
attamen consulite
per voster honur.

Tua pulchra facies
me fay planszer milies,
pectus habet glacies.
A remender
statim vivus fierem
per un baser.
Dia, noite e tudo
me é contrário.
A tagarelice das virgens
me faz chorar,
também suspirar,
mais ainda, faz temer.

Ó amigos, podeis brincar,
mas dizei-me o que sabem
para me poupar;
grande é a minha dor,
aconselhai-me, eu vos peço,
por vossa honra.

Teu lindo rosto
mil prantos me traz,
porque de gelo é o teu coração.
Mas cura-me,
que por um beijo
voltarei a viver.
17 - Stetit puella17 – Estava ali uma menina
Stetit puella
rufa tunica;
si quis eam tetigit,
tunica crepuit.
Eia!
Stetit puella
tamquam rosula;
facie splenduit,
os eius fioruit.
Eia!
Estava ali uma menina
com uma túnica vermelha;
se alguém a tocava,
sua túnica crepitava.
Eia!
Estava ali uma menina
como uma rosinha:
sua face resplandescia
com os lábios em flor.
Eia!
18 - Circa mea pectora18 - Em meu peito
Circa mea pectora
multa sunt suspiria
de tua pulchritudine,
que me ledunt misere. Ah!
Mandaliet, mandaliet
min geselle chomet niet.

Tui lucent oculi
sicut solis radii,
sicut splendor fulguris
lucem donat tenebris. Ah!
Mandaliet, mandaliet
min geselle chomet niet.

Vellet deus, vallent dii
quod mente proposui:
ut eius virginea
reserassem vincula. Ah!
Mandaliet, mandaliet
min geselle chomet niet.
Em meu peito
são muitos os suspiros
por tua beleza,
que me deixa ferido. Ah!
Mandaliet, mandaliet,
meu amor não vem.

Teus olhos brilhantes
são como raios de sol,
como o fulgor do relâmpago
iluminando as trevas. Ah!
Mandaliet, mandaliet,
meu amor não vem.

Conceda deus, concedam os deuses,
Aquilo que eu mais desejo:
que eu consiga romper
as cadeias da tua virgindade. Ah!
Mandaliet, mandaliet,
meu amor não vem.
19 - Si puer cum puellula19 - Se um menino com uma menina
Si puer cum puellula
Moraretur in cellula,
Felix coniunctio.
Amore suscrescente
pariter e medio
avulso procul tedio,
fit ludus ineffabilis
membris, lacertis, labii.
Se um menino com um menina
Ficarem numa alcova,
Feliz é a união.
Floresce o amor,
e entre eles
some a vergonha,
iniciando o jogo indizível
de membros, braços e lábios.
20 - Veni, veni, venias20 - Vem, vem, ó vem
Veni, veni, venias,
ne me mori facias,
hyrca, hyrce, nazaza,
trillirivos!

Pulchra tibi facies
oculorum acies,
capillorum series,
o quam clara species!

Rosa rubicundior,
lilio candidior,
omnibus formosior
semper in te glorior!
Vem, vem, venha,
não me deixes morrer.
hyrca, hyrce, nazaza,
trillirivos!

Lindo é o teu rosto,
teus olhos brilhantes,
teus cabelos trançados,
que imagem gloriosa!

Mais rubra que a rosa,
mais alva que o lírio,
a mais formosa de todas,
sempre te louvarei!
21 - In trutina21 - Na balança
In truitina mentis dubia
fluctuant contraria
lascivus amor et pudicitia.
Sed eligo quod video,
collum iugo prebeo;
asd iugum tamen
suave transeo.
Na balança de minha alma
oscilam em confronto
lascívia e pudor.
Mas escolho o que vejo,
e meu pescoço coloco sob jugo,
e por tão suave jugo
eu aceito passar.
22 - Tempus est iocundum22 - É tempo de alegria
Tempus es iocundum
o virgines,
modo congaudete
vos iuvenes!
Oh, oh, oh! totus floreo!
iam amore virginali totus ardeo!
novus, novus amor est, quo pereo!

Mea me confortat promissio,
mea me deportat negatio.
Oh, oh, oh! totus floreo!
iam amore virginali totus ardeo!
novus, novus amor est, quo pereo!

Tempore brumali
vir patiens,
animo vernali
lasciviens.
Oh, oh, oh! totus floreo!
iam amore virginali totus ardeo!
novus, novus amor est, quo pereo!

Mea mecum ludit
virginitas,
mea me detrudit
simplicitas.
Oh, oh, oh! totus floreo!
iam amore virginali totus ardeo!
novus, novus amor est, quo pereo!

Veni, domicella,
cum gaudio,
veni, veni, pulchra,
iam pereo!
Oh, oh, oh! totus floreo!
iam amore virginali totus ardeo!
novus, novus amor est, quo pereo!
É tempo de alegria,
ó virgens,
divirtam-se conosco,
ó rapazes!
Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro!
ardo totalmente em um amor virginal!
É um novo, novo amor, que me consome!

A mim, me conforta a promessa,
a mim me desterra a recusa.
Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro!
ardo totalmente em um amor virginal!
É um novo, novo amor, que me consome!

Em tempos invernais
o homem é paciente,
com o sopro da primavera
torna-se lascivo.
Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro!
ardo totalmente em um amor virginal!
É um novo, novo amor, que me consome!

Comigo brinca
minha virgindade,
a mim me preserva
minha simplicidade
Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro!
ardo todo de um amor virginal!
novo, novo amor é o que me faz perecer!

Vem, minha soberana,
com alegria,
vem, vem, minha bela
que estou me consumindo!
Oh, oh, oh! desabrocho por inteiro!
ardo totalmente em um amor virginal!
É um novo, novo amor, que me consome!
23 - Dulcissime23 - Docilíssima
Dulcissime, ah!
Totam tibi subdo me!
Docilíssima, ah...
me entrego toda a ti!

IV

BLANZIFLOR ET HELENABRANCAFLOR E HELENA
24 - Ave formosissima24 - Salve, a mais formosa
Ave, formosissima,
gemma pretiosa,
ave, decus virginum,
virgo gloriosa,
ave, mundi luminar,
ave, mundi rosa,
Blanziflor et Helena,
Venus generosa!
Salve, a mais formosa,
gema preciosa,
salve, orgulho das virgens,
virgem gloriosa,
salve, luz do mundo,
do mundo, salve a rosa
Brancaflor e Helena,
Vênus generosa!

Créditos

SOCIEDADE MUSICAL BACHIANA BRASILEIRA – SMBB®

Presidente
Nínia da Gama Albernaz Hortensi

Direção Musical e Regência
Ricardo Rocha

Coordenação de Projetos
Antonio Cerdeira

Pianista Acompanhadora
Elisa Wiermann

Secretária
Cleise Maria da Silva

Manutenção do Site
João Jordy

Agradecimentos
Colégio Sto. Antônio Maria Zaccaria
Rebeca Benévolo
Sala Cecília Meireles, nas pessoas de João Guilherme Ripper e Glícia Campos
www.movimento.com, na pessoa de Antônio Rodrigues


Associação Bachiana de Amigos - ABA
Associados

  Patrono
Fundação Charitas
Roberto e Margarida Vámos

 Honorário
Christa Bohnhof-Grühn

Benfeitor
Hasenclever Corrêa
Maria do Carmo Wollny
Mauro Senise e Ana Luisa Marinho
Norma de Paula Mattos Rubini
Werner Schünemann e Tânia Rúbia G. de Oliveira
 
Mestre
Amanda Pereira Diniz Camp, Cláudia Garrido, Claudio Esperança e May-Lin Wang, Gina Mannucci, Jane Acosta, Margarida Pressburger, Sônia Maria Chateaubriand Diniz de Almeida, Shirley Virginia Coutinho, Sueli Mello Braga, Vera S. R. de Saules
 
Benemérito

Antonio Cerdeira, Ariane Isabel Petri, Cássia Chaffin, Gary Bon-Ali, Gervásio d’Araújo, Julia Raulino Bahia Falcão, Leda Machado, Walter Pacheco Monken, Nelson de Franco

Apoiador
Adriano Kury, Amador Poceiro Orelo, Ana Frota Dias de Carvalho, Cid Queiroz Fontes, Diléa Frate, Gilberto Mendes da Silva, Marcos Miceli, Maria Darcy F. C. Zylberberg, Maria Isabel Rímola da Cruz Mano, Marta M. Jacob, Maria Shansy Wang Adaimy, Mercedes Esberard Niemeyer, Rosaria de Souza Filgueiras, Paulo Marcio Moreira Castro, Thereza Christina Rocque da Motta, Timoteo Naritomi, Fred Rocha e Nena Bergallo, Maria Elisabeht Carrilho Santoro Gemmal

 
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